PATOLOGIAS COLORRETAIS

- Câncer do Canal Anal -

O canal anal é um trajeto tubular curto, rodeado por músculo no final do reto. O reto é a parte final do intestino grosso. Quando ocorre a evacuação, as fezes saem do reto através do canal anal. O câncer se desenvolve quando algumas células do corpo se dividem sem parar. A medida que o câncer cresce, ele pode permanecer nas proximidades do tecido afetado ou se espalhar para outras partes do corpo, um processo chamado de metástase. O câncer do canal anal inicia nas células ao redor ou logo dentro do ânus. Uma pessoa pode ser diagnosticada com células pré-cancerígenas na região anal. Com o tempo, essas células podem ter uma chance elevada de se transformar em câncer. Como esta condição é tratada diferente do câncer do canal anal, é a razão para iniciar o tratamento precoce.

 

ESTATÍSTICA

 

- Cerca de dois terços do câncer do canal anal afetam mulheres;

- O câncer do canal anal contabiliza 1-2% de todos os cânceres dos intestinos;

- Câncer do canal anal mais frequentemente acomete pessoas entre 55-64 anos;

- O número de casos de câncer do canal anal vem crescendo;

Apenas um pequeno número de casos se espalham, mas quando isto acontece a doença é difícil de tratar. O câncer do canal anal se espalha principalmente para o fígado e pulmões.

 

FATORES DE RISCO

 

Um fator de risco aumenta a chance de ter a doença. O fator de risco mais comum para o câncer do canal anal é estar infectado pelo papillomavirus (HPV). HPV é uma doença sexualmente transmissível que pode também causar verrugas (condilomas) dentro ou ao redor do ânus e nos genitais de ambos homens e mulheres, mas o câncer pode ocorrer sem a presença de verrugas. Outros fatores de risco são:

- Idade (55 anos ou mais);

- Sexo anal;

- Doenças Sexualmente Transmissíveis;

- Múltiplos parceiros sexuais;

- Tabagismo;

- História de câncer relacionado ao HPV, especificamente o de colo uterino;

- Imunodeficiência devido ao HIV, quimioterapia ou transplante de órgão;

- Áreas inflamadas crônicas que causam vermelhidão e irritação por muito tempo, como fístulas anais ou feridas abertas;

- História pessoal de radiação pélvica para tratamento de câncer do reto, próstata, bexiga ou colo uterino.

 

PREVENÇÃO

 

Apesar de poucos cânceres serem totalmente prevenidos, evitar os fatores de risco e fazer revisões médicas periódicas é muito importante. Usar preservativo pode reduzir, mas não zerar o risco de contrair o HPV. As vacinas contra o HPV (para pessoas com idade entre 9 e 26 anos) mostraram não apenas reduzir o risco de infecção pelo HPV, mas também reduziu o risco de câncer do canal anal em homens e mulheres. Pessoas com o risco aumentado devem conversar com seus médicos sobre fazer um rastreio para o câncer do canal anal.

 

SINTOMAS

 

Até 20% dos pacientes com câncer do canal anal podem não ter sintomas. Os seguintes sintomas podem ocorrer no caso de câncer, porém estão associados também com doenças menos sérias como a doença hemorroidária. Entretanto, se você notou qualquer um desses sintomas, veja o seu médico o quanto antes:

- Sangramento pelo ânus ou reto;

- Dor na região anal;

- Um crescimento ou volume na região do ânus;

- Coceira que está se prolongando;

- Mudança no hábito intestinal, como evacuar mais ou menos vezes que o habitual ou fazer muita força para evacuar;

- Estreitamento das fezes;

- Secreção, muco ou pus pelo ânus;

- Linfonodos (ínguas) inchadas na região da virilha.

 

DIAGNÓSTICO

 

A maioria dos cânceres do canal anal são diagnosticados precocemente porque encontram-se em um local onde os médicos podem ver e alcançar. O diagnóstico é frequentemente feito quando as pessoas com qualquer um dos sintomas acima se submetem a um exame da região anal. O diagnóstico pode ser feito também incidentalmente durante o check-up anual que inclui o toque retal. O toque retal é realizado para avaliar o reto, próstata ou órgãos pélvicos. O câncer do canal anal pode ser diagnosticado também quando a pessoa faz o exame preventivo do câncer colorretal (colonoscopia).

 

PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS

 

- Toque Retal: o médico introduz o dedo indicador, com luva e gel lubrificante, dentro do ânus e reto para avaliação;

- Anuscopia: exame do canal anal com aparelho específico (anuscópio);

- Biópsia: extração de um fragmento de tecido de uma lesão suspeita para diagnóstico preciso;

- Ultrassonografia anorretal, ressonância magnética ou outros exames de imagem para determinar a extensão do câncer após a confirmação diagnóstica.

 

TRATAMENTO

 

A maioria dos casos de câncer do canal anal tem altas taxas de cura quando tratados precocemente. Existem três tipos básicos de tratamento:

- Cirurgia: procedimento para remover o câncer;

- Radioterapia: altas doses de Raios-X para destruir as células do câncer;

- Quimioterapia: drogas que matam as células do câncer.

O tratamento combinado com Quimioterapia e Radioterapia é considerado o tratamento padrão ouro para a maioria dos casos de câncer do canal anal. Em alguns casos, tumores muito pequenos podem ser removidos sem a necessidade de tratamento adicional. Se o câncer é avançado, cirurgia de porte maior pode ser necessária para o tratamento.

 

O QUE É COLOSTOMIA?

 

Colostomia é quando o intestino grosso é costurado aberto na pele através de uma abertura da parede abdominal criada pelo cirurgião. A colostomia pode ser necessária nos casos em que os tumores não respondem aos tratamentos iniciais (quimioterapia e radioterapia) ou quando ele cresce novamente após o tratamento. Na grande maioria dos casos, quando isto ocorre, o cirurgião precisa remover o reto e o ânus do paciente, criando-se a colostomia definitiva.

 

PROGNÓSTICO PÓS TRATAMENTO

 

A maioria dos cânceres são curados com a terapia combinada de quimioterapia e radioterapia. Se diagnosticados precocemente, muitos tumores que crescem novamente após a terapia combinada são tratados efetivamente com a cirurgia. Apesar de a terapia combinada apresentar mais efeitos adversos, este tratamento resulta na melhora taxa de sobrevida a longo termo. Após completar este tratamento, cerca de 70-90% dos pacientes estarão vivos e sem câncer depois de 5 anos.

Um seguimento regular com um exame detalhado pelo seu Coloproctologista é muito importante. Durante a consulta, serão avaliados os resultados do tratamento e será realizado exame físico para checar qualquer sinal de tumor. Em alguns casos, estudos adicionais poderão ser necessários.